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Curiosidade: O que acontece no cérebro ao apostar?

Quando uma pessoa realiza apostas, ocorrem diversos processos complexos no cérebro humano que podem levar ao desenvolvimento de comportamentos viciantes. Durante a pandemia, muitas pessoas recorrem aos jogos de azar online, resultando em um aumento significativo na dependência dessas atividades.

A dependência em jogos de azar pode causar problemas graves de saúde mental, cognitivos e relacionais, além de levar à falência financeira e até à criminalidade. Diferentemente do vício em álcool e drogas, os sinais do vício em jogos de azar são menos perceptíveis fisicamente, o que dificulta o reconhecimento precoce do problema.

Pesquisas de neuroimagem revelaram que várias regiões do cérebro estão associadas ao comportamento de apostas. O córtex pré-frontal ventromedial, que está envolvido na tomada de decisões, memória e regulação das emoções, o córtex frontal orbital, que ajuda o corpo a responder às emoções, e a ínsula, que regula o sistema nervoso autônomo, são áreas que mostram maior atividade em jogadores compulsivos.

Além disso, o sistema de recompensa do cérebro, incluindo o núcleo caudado, é altamente ativado quando os jogadores observam os resultados de suas apostas. Esse aumento na ativação é particularmente forte em pessoas viciadas em jogos de azar.

A dopamina, um neurotransmissor crucial para a comunicação entre células nervosas, desempenha um papel vital no sistema de recompensa do cérebro. Estudos mostram que jogadores compulsivos têm níveis significativamente mais altos de excitação quando a dopamina é liberada em seus cérebros, em comparação com indivíduos saudáveis.

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Essa liberação de dopamina reforça a compulsão por jogos, aumentando os níveis de excitação e reduzindo a inibição de decisões arriscadas. O núcleo accumbens, uma região rica em dopamina, também está envolvido em comportamentos de risco, tanto em adolescentes quanto em adultos.

Para avaliar a dependência em jogos de azar, pesquisadores desenvolveram simulações conhecidas como tasks, como o Iowa Gambling Task e o CANTAB Cambridge Gambling Task. Essas tarefas ajudam a medir a propensão de um indivíduo a desenvolver distúrbios de jogo compulsivo, especialmente em pessoas que apresentam sinais de impulsividade.

A pesquisa mostra que a aposta é mais comum entre pessoas de 17 a 27 anos e tende a diminuir com a idade. Além disso, jogadores com problemas de dependência tendem a aumentar suas apostas ao longo do tempo, frequentemente resultando em falência.

A dependência em jogos de azar está frequentemente associada à dependência de álcool e nicotina, aumentando a compulsão por apostas. As diretrizes atuais para o tratamento do transtorno do jogo compulsivo incluem formas de terapia cognitivo-comportamental e grupos de autoajuda.

Alguns medicamentos, como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), podem ser eficazes na redução de aspectos dos sintomas do transtorno, como a depressão. A Naltrexona, que bloqueia os receptores opioides, mostrou algum potencial em ajudar pessoas com transtorno do jogo compulsivo, mas mais pesquisas são necessárias para confirmar sua eficácia como tratamento padrão.

Jornalista: Daiane de Souza (0007147/SC)

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