Desde 26 de maio, as empresas brasileiras são obrigadas a incluir fatores de risco psicossociais, como assédio, sobrecarga e falta de apoio, no gerenciamento de riscos ocupacionais previsto na NR-1. A mudança chega às SIPATs (Semanas Internas de Prevenção de Acidentes do Trabalho) deste segundo semestre e cria um problema prático para as CIPAs (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e de Assédio) e para as áreas de Recursos Humanos: como tratar de assuntos que constrangem sem que a plateia se feche? Para o storyteller corporativo Alexandre Camilo, sediado em São Paulo (SP), uma saída está nas histórias.
A exigência vem do capítulo 1.5 da NR-1, alterado pela Portaria MTE nº 1.419/2024. A vigência foi adiada uma vez e passou a valer em maio de 2026. O guia publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego lista 13 fatores de risco psicossociais, entre eles o assédio de qualquer natureza.
A SIPAT é uma atribuição anual da CIPA, conforme a NR-5. Desde a Lei nº 14.457/2022, a comissão também responde pela prevenção ao assédio e passou a se chamar Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio.
Segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, mantido pelo Ministério Público do Trabalho e pela OIT, o Brasil registrou 8.824.286 acidentes de trabalho e 31.981 mortes de trabalhadores com carteira assinada entre 2012 e 2024.
Alexandre Camilo trabalha com dois temas que, segundo ele, resistem às apresentações tradicionais. O primeiro é a percepção de risco. O trabalhador que repete a mesma tarefa há anos deixa de enxergar o perigo que está ao lado, e a regra lida em um slide raramente muda esse hábito.
“Quando eu mostro um slide com a regra, a pessoa concorda e esquece. Quando conto a história do colega que fez aquilo mil vezes até o dia em que não deu certo, ela lembra no dia seguinte, na frente da máquina.” — diz Alexandre Camilo, em entrevista exclusiva.
O segundo tema é o assédio, assunto em que ninguém na sala quer ser apontado. Nesse caso, a história coloca um personagem no lugar do público. A plateia reconhece o comportamento de fora, antes de reconhecê-lo em si ou nos colegas.
“Ninguém levanta a mão para dizer que já passou do limite com alguém. Mas todo mundo reconhece o personagem. A história dá nome ao comportamento sem acusar ninguém da sala.” — Alexandre Camilo
O recurso não substitui o Programa de Gerenciamento de Riscos, os canais de denúncia nem os treinamentos obrigatórios. Funciona como complemento, voltado à sensibilização.
Ator há mais de 35 anos e no mercado corporativo há mais de 20, Camilo já atendeu mais de 200 empresas e fez mais de 500 palestras. É criador do método Storytelling 5D®, Trainer e Master Practitioner em PNL pela SBPNL e autor de sete livros.
Sobre Alexandre Camilo
Alexandre Camilo é palestrante, storyteller, educador e ator nascido em Santos (SP) e sediado em São Paulo (SP). É fundador da Creative Storytelling School e da Redescobrir Consultoria, e cofundador da Cia. de Teatro Era Uma Vez…, em atividade desde 1989. Desenvolve palestras, workshops e programas que unem storytelling, PNL, andragogia e técnicas teatrais, com foco em SIPAT, saúde mental no trabalho e comunicação corporativa.
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