Mulheres que incentivam
Conselho bom e de graça: "você precisa de um ponto, você precisa que as pessoas vejam sua produção". Foi assim que a amiga e colega de trabalho de Adriana no serviço público, a psicóloga Kessiane Vieira, a motivou. Pensativa, a empreendedora se apoderou da recomendação e chegou a uma estratégia. Em conversa com o empresário Evandro Zanchetta de Jesus, proprietário do Supermercado Bom Jesus, no centro de Batayporã, conseguiu mais um apoio crucial. "Ele me emprestou um ponto, era um cantinho e, por mais de um ano, todo fim de semana eu montava uma mesa para expor e vender meus bolos. Foi quando o público passou a procurar meus produtos", contou.
Com o negócio reconhecido na comunidade, a "Adriana do bolo" ou a "Adriana dos doces" percebeu uma nova atmosfera: "passei a trabalhar muito mesmo. Era noite, fim de semana, feriado, sempre produzindo, o que era muito bom, só que comecei a sentir uma autocobrança. Eu estava em falta com o Gui e comigo, com a minha saúde".
Transformação
As peças não estavam encaixando. Embora a renda extra também tivesse sido motivada pela vontade de pagar uma escola particular para o filho e outras atividades, como escolinha de futebol e passeios, o tempo de qualidade diminuía.
Foi no ápice da produção e das vendas dos bolos e doces caseiros que Adriana decidiu refazer sua rota. Mais uma vez, a maternidade falou alto: "eu precisava ficar bem e meu filho precisava estar bem também. Com tanto trabalho, eu estava deixando de acompanhá-lo em coisas do dia a dia. Era uma festinha que eu perdia, uma brincadeira que eu não acompanhava. Eu sempre trabalhando até tarde. Isso me doía, cortava o coração. Ele também precisava de um acompanhamento porque estava com sobrepeso".
Nesse cenário, o quesito saúde se aliou ao custo emocional e deu a última palavra: "eu não estava bem e ele também não. Eu precisava cuidar de mim para cuidar dele!". Desacelerar, perder peso, ter uma rotina mais saudável. O desafio foi grande e o ganho ainda maior. "Foi uma transformação na minha vida! Eu me senti muito bem. Comecei a cuidar de mim e incentivei o Gui a se cuidar junto comigo. Começamos a comer melhor e a ir juntos para a academia", relatou Adriana sobre o processo que a levou a eliminar 25 quilos. "Uma outra Adriana", enfatizou.
Portas abertas... e de frente uma para a outra!
Visão, "negócio da China", oportunidade, alinhamento...Muitas são as formas de descrever, no entanto, Adriana prefere destacar como "uma benção, um propósito", o largo passo dado em sua trajetória como empresária. Ocorre que, ao longo do seu processo de transformação do estilo de vida, a convivência com o "mundo fitness" a fez enxergar um mercado promissor em Batayporã. "Eu pensei: moda fitness, quero trabalhar com isso!", detalhou.
"Eu já estava pronta para fazer tudo na minha casa, como eu sempre fazia. Já tinha adaptado uma sala, organizado o espaço, os manequins, eu ia vender as roupas lá. Foi quando uma amiga me disse: "Adriana, você tem que ir pra avenida, você precisa de uma vitrine, uma loja"". Novamente, o conselho feminino, bom e de graça, tomou ares de profecia.
O pulo do gato está no fato de que a academia frequentada por ela e seu filho, a Forte Fit, foi inaugurada no início do ano, na Avenida Brasil, a mais movimentada da cidade e, pouco tempo depois, bem em frente ao prédio, uma tradicional loja de roupas femininas encerrou atividades no ponto que ocupou por anos.
Esperança a postos, a negociação começou. "De início, eu não tinha condições. Conversamos, ela (antiga proprietária) foi muito legal, mas eu simplesmente não tinha condições e ia desistir. Esperei um pouco, conversamos de novo. Conseguimos condições melhores, um ótimo negócio mesmo. A antiga dona foi muito incentivadora, isso fez toda a diferença", afirmou Adriana.