No agronegócio, produzir mais nem sempre significa simplesmente plantar mais.
Em uma atividade exposta ao clima, preços das commodities, custos de insumos e ciclos de produção, uma das decisões estratégicas pode estar justamente em não depender de uma única fonte de resultado.
Grãos e pecuária possuem calendários, riscos e dinâmicas diferentes. Quando inseridos em uma operação diversificada, podem ampliar as alternativas disponíveis ao produtor e à gestão da propriedade.
Essa lógica ajuda a compreender uma fase mais recente da trajetória de Germano Jacó Heckler.
Depois de construir uma carreira empresarial inicialmente ligada ao mercado automotivo, o empresário gaúcho passou a ampliar sua atuação no agronegócio.
Hoje, registros empresariais vinculados à sua administração apresentam atividades relacionadas a diferentes culturas agrícolas e à criação de bovinos.
A mudança não representa apenas a entrada em um novo setor.
Ela mostra uma estratégia que busca diversificação também dentro do próprio campo.
Do interior gaúcho para o mundo dos negócios
A ligação de Germano com o meio rural antecede sua atividade empresarial.
Nascido em 1973, em Cerro Largo, no Noroeste do Rio Grande do Sul, ele cresceu em uma família de colonos.
Ainda adolescente, mudou-se para São Leopoldo, onde sua trajetória tomou outro rumo.
Segundo informações biográficas fornecidas sobre sua história, Germano estudou no seminário jesuíta e posteriormente passou pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
A carreira profissional se desenvolveu inicialmente longe da produção rural.
Foi no mercado automotivo que começou a acumular experiência em vendas, negociação e gestão.
Décadas depois, a terra voltaria a ocupar espaço importante em seus negócios.
Agronegócio passa a integrar a estrutura empresarial
Em março de 2022 foi constituída, em Glorinha, no Rio Grande do Sul, a Heckler Serviços Administrativos e Agronegócio Ltda., conhecida como Holding Heckler Agronegócio.
Germano consta como sócio-administrador.
A atividade principal registrada está relacionada ao comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados.
Mas são as atividades secundárias que ajudam a compreender a amplitude da estratégia.
Entre elas aparecem cultivo de milho, trigo e outros cereais, além da criação de bovinos para corte.
A estrutura indica uma atuação que não está concentrada em apenas uma atividade rural.
Por que diversificar dentro do agro?
Imagine uma propriedade que dependa exclusivamente de uma única cultura.
Todo o resultado daquele ciclo fica mais exposto às condições enfrentadas pelo produto.
Uma quebra de produtividade, redução do preço ou elevação significativa dos custos pode afetar diretamente a receita.
Quando existem diferentes atividades, a dinâmica muda.
Isso não significa que uma automaticamente compensará a outra.
Também não elimina os riscos.
Mas cria diferentes fontes potenciais de receita e diferentes ciclos produtivos.
É um princípio semelhante ao utilizado na gestão de investimentos: concentração pode aumentar a exposição.
No campo, porém, essa lógica precisa respeitar condições agronômicas, estrutura da propriedade e capacidade de gestão.
Milho possui papel estratégico
O milho é um bom exemplo da relação entre diferentes cadeias do agronegócio.
O grão não é apenas uma commodity agrícola.
Também é um insumo importante para alimentação animal.
Isso aproxima agricultura e pecuária.
Dependendo do modelo adotado pela propriedade, produzir grãos e criar animais pode gerar possibilidades de integração.
Resíduos agrícolas podem ter utilização dentro do sistema.
Áreas podem ser manejadas de maneiras diferentes ao longo do calendário.
E a própria produção de alimento pode assumir papel estratégico.
Mas essa integração exige planejamento.
Não basta simplesmente desenvolver duas atividades na mesma propriedade.