O Olhar Além da Máscara, por Odair José de Melo

Imagem: Arquivo Pessoal
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Imagem: Arquivo Pessoal
Vivemos imersos em turbilhões de pensamentos, oscilando constantemente entre o tédio e a preocupação. Muitas vezes, o que nos falta não é essência, mas a maturidade de perceber além do óbvio e a humildade de entender que não somos donos do conhecimento; somos apenas portadores de nossa própria vivência. O grande desafio humano é transpor o que sentimos, utilizando nossa bagagem para identificar no outro as mesmas fragilidades que habitam em nós. É nesse exercício de sensibilidade que a empatia se faz urgente: na capacidade de enxergar quem realmente precisa de um olhar mais apurado.
Precisamos aprender que as aparências costumam ser enganosas no campo das emoções. Talvez aquele que se mantém mais quieto não seja, necessariamente, o mais triste, assim como aquele que transborda sorrisos e entusiasmo pode não ser o mais feliz. Não raramente, cruzamos com pessoas que exibem um semblante festivo, mas que, sob uma observação cuidadosa, revelam o peso de batalhas silenciosas. Nesses casos, a alegria funciona como uma camuflagem estratégica.
Como bem observou Friedrich Nietzsche, "tudo o que é profundo ama a máscara; as coisas mais profundas têm até ódio de figura e semelhança".
Essa "nuvem" de proteção é criada para que a pessoa preserve a dignidade de sua dor e não desabe diante de suas próprias angústias íntimas. Diante disso, cabe a nós a delicadeza de oferecer um acolhimento que não exige esforço, mas presença. Sorrir e sustentar um diálogo com amor, permitindo que a pessoa apenas "esteja" ali, pode ser o bálsamo necessário para que ela sinta segurança em baixar a guarda. Muitas vezes, não é preciso um abraço físico ou longas discussões sobre problemas; basta curtir a companhia, respeitando o espaço daquela máscara até que ela não seja mais necessária.
A nós, resta a sensibilidade de oferecer uma atenção tão genuína que, ao chegar em casa e se deitar à noite, aquela pessoa sinta o conforto de ter sido verdadeiramente vista. Oportunizar esse momento de acolhimento é um ato de caridade silenciosa. No fundo, a maior ajuda que podemos oferecer é a pergunta que nasce da alma e rompe a superfície: "Meu amigo, como você realmente está, e de que forma posso, de fato, te apoiar hoje?". (Odair José de Melo é Mestrando em Administração com Ênfase em Políticas Públicas - PROFIAP/UFMS Bel. Direito e Administração; Pós em Direito Público, Direitos Humanos, Direito da Criança, Jovem e Idoso).