Operação do Gaeco investiga esquema que ligava contratos públicos à oferta de vagas na saúde; prejuízo pode superar R$ 27 milhões

Imagem: Paulo Ribas / Correio do Estado
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Imagem: Paulo Ribas / Correio do Estado
Conforme reportagem do Correio do Estado, uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apura a atuação de uma suposta organização criminosa formada por empresários e agentes públicos suspeitos de fraudar contratos administrativos e utilizar a estrutura da saúde pública para obter vantagens indevidas.
As investigações apontam que o grupo teria movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos considerados irregulares para o fornecimento de livros paradidáticos.
A Operação Gutenberg foi deflagrada nesta terça-feira (8) e cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além de endereços localizados nos estados de São Paulo e Goiás.
Segundo o Ministério Público, as apurações revelaram a existência de um grupo estruturado para praticar crimes contra a administração pública, incluindo fraudes em processos licitatórios, corrupção, lavagem de dinheiro e outras infrações relacionadas.
Entre os presos está Ed Carlos Britto Burgatt, coordenador estadual de Regulação Assistencial (Core) da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Conforme a investigação, ele é suspeito de utilizar a função que exercia para influenciar a liberação de exames, cirurgias e leitos hospitalares na rede estadual.
De acordo com os investigadores, prefeitos e gestores municipais eram pressionados a contratar uma empresa responsável pelo fornecimento de livros paradidáticos. Em troca, haveria facilitação no acesso aos serviços regulados pelo Estado.
A empresa citada nas investigações é a Gráfica Alvorada, administrada por Olívia Jafar e Rossana Jafar, que também foram presas durante a operação. A suspeita é de que ambas tenham dado continuidade ao esquema após assumirem a condução da empresa, em 2021.
Em nota, o MPMS informou que a organização utilizava servidores públicos para favorecer a autorização de procedimentos médicos, condicionando esse atendimento à celebração dos contratos para aquisição dos materiais didáticos.
Ainda conforme o órgão, os contratos investigados permaneciam vigentes em diversos municípios sul-mato-grossenses e os valores recebidos eram distribuídos entre integrantes da organização e terceiros por meio de movimentações financeiras destinadas a ocultar a origem dos recursos.
Também foram presos Felipe Paroschi Jafar, Joatan Gomes Peixoto, Matheus Oliveira Peixoto, Francisco Anízio dos Santos, Paulo Rogério de Melo e Jéssica Burgatt.
Outro alvo da investigação é Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e atualmente servidor comissionado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP).
Após a operação, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que determinou o afastamento e a exoneração dos servidores eventualmente envolvidos nos fatos investigados.
O Executivo estadual afirmou ainda que, por meio da Secretaria de Estado de Saúde e da Controladoria-Geral do Estado, instaurou auditorias para analisar os procedimentos relacionados ao caso, além de acompanhar as investigações conduzidas pelo Ministério Público e pelas forças policiais.