O Brasil produziu campeões em modalidades que exigem habilidades muito diferentes. Vinícius Júnior decidiu finais europeias; Rebeca Andrade colocou a ginástica artística brasileira no centro dos Jogos Olímpicos; Charles Oliveira e Alex Pereira alcançaram cinturões no MMA. Ao lado deles, corredores, tenistas e pilotos ampliaram o espaço dos atletas brasileiros em competições globais.
Este ranking considera feitos obtidos a partir de 2001. Títulos, medalhas, consistência competitiva, relevância fora do país e peso histórico orientam a ordem. Uma medalha olímpica, um cinturão do UFC e uma temporada de destaque no futebol pedem critérios diferentes, mas todos mostram o alcance de uma geração que levou o esporte brasileiro a novos públicos. As apostas estão altas: quem ficará com o primeiro lugar? A lista reúne modalidades, gerações e trajetórias que ajudam a responder a essa disputa.
Como este ranking foi construído
A redação do jornal da Nova organizou este recorte para a Nova news a partir de resultados verificáveis. A posição de cada nome leva em conta o que conquistou, o nível de domínio que demonstrou em sua modalidade e a dimensão de seu impacto no Brasil e no exterior.
Os critérios usados foram:
títulos, medalhas e marcas oficialmente reconhecidos;
desempenho sustentado em eventos de elite;
relevância histórica para a modalidade;
presença em palcos internacionais;
capacidade de ampliar o interesse do público brasileiro por um esporte.
A lista não pretende encerrar discussões. Ela reúne dez trajetórias que ajudam a entender por que o futebol deixou de concentrar sozinho a atenção sobre o esporte nacional. Os atletas olimpicos brasileiros ganharam alcance popular, o tênis voltou a atrair grandes plateias e o automobilismo passou a ter um novo nome no grid da Fórmula 1.
O top 10 em resumo
A contagem começa com dois atletas em fase inicial de carreira e avança até nomes com medalhas olímpicas, títulos mundiais e conquistas em ligas de alcance global. Gabriel Bortoleto e João Fonseca ainda acumulam capítulos importantes pela frente. Rebeca Andrade, Neymar, Vinícius Júnior, Alex Pereira, Charles Oliveira, Alison dos Santos, Vanderlei Cordeiro de Lima e Beatriz Haddad Maia já possuem resultados que permitem medir o tamanho de suas campanhas.
10. Gabriel Bortoleto e o retorno brasileiro à Fórmula 1
Gabriel Bortoleto conquistou os títulos da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, ambos em temporadas de estreia. O resultado abriu caminho para sua chegada à Fórmula 1 em 2025, pela Kick Sauber, encerrando a ausência de brasileiros em um assento fixo no campeonato. A sequência de títulos de base não garante uma carreira de elite por si só, mas coloca o paulista entre os projetos mais acompanhados do automobilismo brasileiro recente.
9. João Fonseca e a pressão de recolocar o tênis masculino em evidência
João Fonseca venceu o US Open juvenil em 2023 e fechou aquela temporada como número 1 do ranking mundial juvenil da ITF. Em dezembro de 2024, ganhou o Next Gen ATP Finals; em 2025, conquistou seu primeiro título do circuito ATP em Buenos Aires. O carioca ainda está no início do percurso profissional, mas já atrai interesse que o tênis masculino brasileiro não via com tanta força desde a geração de Gustavo Kuerten. O próximo parâmetro será transformar esse impacto inicial em campanhas regulares nos torneios de maior peso.
8. Beatriz Haddad Maia e a presença brasileira no topo do tênis feminino
Beatriz Haddad Maia alcançou o top 10 da WTA em 2023 e tornou-se a primeira brasileira da Era Aberta a chegar à semifinal de Roland Garros. Seus títulos em simples e duplas, somados às boas campanhas na grama e no saibro, fizeram dela uma referência para uma modalidade que passou décadas sem uma protagonista do país nessa faixa do ranking. Como atleta brasileira, Bia Haddad também mostra como continuidade e recuperação física podem sustentar uma carreira de alto nível em um circuito de calendário extenso.
7. Vanderlei Cordeiro de Lima e um pódio que virou símbolo olímpico
Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a maratona de Atenas 2004 até ser interrompido por um invasor perto do quilômetro 35. Ele retomou a prova, terminou em terceiro e recebeu a Medalha Pierre de Coubertin, concedida pelo Comitê Olímpico Internacional por espírito esportivo. Bicampeão pan-americano e responsável por acender a pira dos Jogos do Rio em 2016, Vanderlei deixou uma história que não depende apenas da medalha de bronze: ela fala de resistência, serenidade e da forma como uma corrida pode ultrapassar o resultado oficial.
6. Alison dos Santos entre os grandes dos 400 m com barreiras
Alison dos Santos ganhou o bronze olímpico em Tóquio, o ouro no Mundial de 2022 e novas medalhas em grandes eventos internacionais. A marca de 46s29, obtida em 2022, o colocou entre os nomes mais rápidos da história dos 400 metros com barreiras. Conhecido como Piu, ele combinou potência na reta final com regularidade em provas de alto nível, tornando-se um dos rostos mais reconhecíveis do atletismo brasileiro.
5. Charles Oliveira e os recordes de finalização no UFC
Charles Oliveira venceu o cinturão dos leves do UFC em maio de 2021, ao derrotar Michael Chandler no UFC 262. Sua trajetória também se destaca pelos números: a organização registra Do Bronx como líder histórico em vitórias por finalização e em bônus de performance. O paulista saiu de Guarujá para uma longa carreira no maior palco do MMA, baseada num jiu-jítsu agressivo e numa capacidade incomum de encerrar lutas. Esse repertório explica por que ele permanece entre os atletas mais influentes da categoria, mesmo em fases sem cinturão.
4. Alex Pereira, do kickboxing aos títulos do UFC
Alex Pereira construiu reconhecimento no GLORY, onde se tornou o primeiro campeão simultâneo de duas divisões da organização. No UFC, conquistou o peso médio em 2022 e o meio-pesado em 2023. A transição entre os dois esportes, somada à força de seus nocautes, transformou Poatan em um lutador brasileiro famoso em escala global. Seu caso não se apoia somente no número de cinturões: ele chegou ao topo do MMA depois de uma carreira de alto nível no kickboxing e com pouca experiência profissional no novo esporte.
3. Vinícius Júnior e o protagonismo brasileiro no futebol europeu
Vinícius Júnior marcou nas finais da Champions League vencidas pelo Real Madrid em 2022 e 2024. Ele também recebeu o prêmio The Best da FIFA em 2024. Revelado pelo Flamengo e consolidado em Madri, o atacante passou a decidir jogos de alta pressão com aceleração, drible e presença na área. Sua carreira pela Seleção Brasileira ainda busca um título de grande porte no time principal, mas seu desempenho por clube já o coloca entre os grandes nomes do futebol brasileiro do período.
2. Neymar, títulos, recordes e uma geração inteira sob os holofotes
Neymar conquistou a Libertadores de 2011 pelo Santos e a Champions League de 2015 pelo Barcelona. Pela Seleção, foi capitão na campanha do primeiro ouro olímpico do futebol masculino do Brasil, no Rio 2016, e a FIFA o reconhece como o maior artilheiro da história da equipe nacional. A trajetória do atacante costuma aparecer em qualquer discussão sobre qual o maior time do Brasil de todos os tempos, sobretudo pelo peso de sua passagem pelo Santos. A Copa do Mundo não entrou em sua coleção, mas o conjunto de títulos, gols e impacto cultural mantém Neymar no centro da conversa sobre os maiores ídolos brasileiros do século.
1. Rebeca Andrade e a transformação da ginástica brasileira
Rebeca Andrade é a brasileira com mais medalhas olímpicas na história: seis. Em Tóquio, conquistou o ouro no salto e a prata no individual geral; em Paris, somou quatro medalhas, incluindo o ouro no solo. Nos Mundiais, ela acumulou medalhas e entrou no grupo de bicampeãs mundiais no salto. A atleta brasileira passou por três lesões graves no joelho antes de alcançar os principais pódios, fato que dá dimensão ao percurso sem substituir seus resultados técnicos.
A expressão maior ginasta de todos os tempos costuma surgir em debates sobre Rebeca, embora comparações entre épocas, aparelhos e países não produzam uma resposta definitiva. O dado concreto é suficiente para colocá-la no topo deste ranking: nenhuma atleta brasileira reuniu tantas medalhas olímpicas, títulos mundiais e capacidade de mudar o lugar de sua modalidade na cultura esportiva do país.
Nomes que ficaram fora por pouco
Uma lista de dez vagas deixa ausências relevantes. Marta, Ronaldinho Gaúcho, Anderson Silva, Isaquias Queiroz e Ana Marcela Cunha têm currículos que justificariam presença em outros recortes. A escolha aqui privilegia resultados construídos principalmente a partir de 2001 e a combinação entre conquista individual, alcance internacional e influência sobre o público.
Marta acumula prêmios individuais e transformou a percepção sobre o futebol feminino. Ronaldinho teve um auge técnico raro no futebol europeu. Anderson Silva dominou sua divisão no UFC por um período marcante. Isaquias e Ana Marcela mantiveram o Brasil em evidência em provas olímpicas e aquáticas. Alterar os pesos dos critérios mudaria a ordem e traria alguns desses nomes para o top 10.
Conquistas que ajudam a explicar o ranking
A tabela abaixo reúne conquistas que ajudam a situar os primeiros colocados do ranking. Títulos olímpicos, recordes e cinturões oferecem um recorte objetivo dessas carreiras, enquanto parte desses resultados integra os marcos recentes celebrados pelo Comitê Olímpico do Brasil.