Viajante de Nova Andradina percorre Bangkok no início de projeto pelas 196 capitais

Imagem: Arquivo Pessoal
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Imagem: Arquivo Pessoal
Depois de anos de planejamento, o projeto Jorge Sem Fronteiras, criado pelo viajante Jorge Henrique, começou oficialmente. A primeira parada da expedição é Bangkok, capital da Tailândia, escolhida como ponto de partida de uma jornada que pretende levar o nova-andradinense pelas 196 capitais dos países contemplados no projeto, em uma viagem estimada em aproximadamente três anos.
A escolha da Tailândia levou em consideração fatores como os custos de hospedagem, alimentação e transporte, além da oportunidade de iniciar a expedição em uma realidade cultural bastante diferente da brasileira.
Nos primeiros dias em Bangkok, Jorge descobriu que conhecer uma capital vai muito além dos cartões-postais. Os templos, a gastronomia, os meios de transporte e, principalmente, o contato com os moradores passaram a fazer parte de uma experiência que busca registrar a realidade de cada lugar visitado.
Entre os locais visitados está o Wat Sam Phraya, templo budista situado no distrito histórico de Phra Nakhon. O local é um templo real de terceira classe e tem origem associada ao período de Ayutthaya, tendo passado por importantes reformas durante o reinado de Rama III.
Durante a visita, Jorge ficou especialmente atento aos detalhes da arquitetura e à presença marcante do dourado na decoração religiosa. Na tradição artística dos templos budistas tailandeses, a cor é frequentemente associada à luminosidade, ao valor espiritual e ao caráter sagrado.
Outro aprendizado foi perceber que, em espaços religiosos, é comum que os visitantes precisem retirar os calçados antes de entrar. A prática está relacionada ao respeito pelo ambiente considerado sagrado e também à preservação da limpeza dos espaços internos.
São esses pequenos costumes que, segundo Jorge, ajudam a compreender uma cultura de maneira mais profunda.





Outro templo que chamou a atenção foi o Wat Intharawihan, conhecido pela enorme imagem de Buda em pé, chamada Luang Pho To. O templo possui origem no final do período de Ayutthaya, e a grande estátua tornou-se seu principal símbolo.
A dimensão da imagem é um dos primeiros elementos que impressionam quem chega ao local. A estátua domina a paisagem do templo e tornou-se um importante ponto de peregrinação e devoção. Segundo a autoridade oficial de turismo da Tailândia, a imagem é conhecida por sua grande dimensão e levou décadas para ser concluída.
Para Jorge, a experiência mostrou como os templos de Bangkok não são apenas atrações turísticas, mas espaços que continuam inseridos na vida religiosa e cultural da população.
Entre os grandes símbolos da capital está também o Wat Arun Ratchawararam, localizado às margens do rio Chao Phraya. O templo é conhecido principalmente por sua grande estrutura central, o prang, que ultrapassa 70 metros de altura e é decorada com milhares de peças de porcelana e outros elementos ornamentais.
A localização do templo também apresentou a Jorge uma característica marcante da mobilidade em Bangkok: o uso do rio como alternativa de transporte. Diversos pontos turísticos podem ser acessados por embarcações que circulam pelo Chao Phraya.
No caso do Wat Arun, o trajeto pode incluir o transporte fluvial e uma curta travessia até o templo, tornando o barco uma alternativa prática para quem circula pela região.
Em Chinatown, a experiência foi marcada pelo movimento das ruas e pela gastronomia. A região reúne comércio, restaurantes e barracas de comida que ganham ainda mais movimento no período noturno.
Entre os alimentos encontrados estão pratos tradicionais e opções que podem causar surpresa aos brasileiros, incluindo insetos preparados para consumo, como escorpiões e larvas.
Os preços variam de acordo com o estabelecimento e o tipo de comida. Pratos simples de comida de rua podem ser encontrados por aproximadamente R$ 8 a R$ 24, enquanto refeições em restaurantes da região podem custar mais.
O transporte foi outro aspecto que chamou a atenção durante a experiência. As motocicletas são muito utilizadas para deslocamentos rápidos em Bangkok, especialmente em meio ao intenso trânsito da cidade.
Jorge também observou situações de motociclistas circulando sem capacete, embora a legislação tailandesa estabeleça regras para o uso do equipamento de segurança.
Para um brasileiro, outra adaptação importante é o sistema de circulação pela esquerda, conhecido como mão inglesa. Mesmo diante do grande fluxo de veículos, Jorge relata ter se surpreendido com a dinâmica do trânsito e com a aparente tranquilidade em diversas situações, destacando o baixo uso de buzinas em comparação com o que imaginava encontrar em uma metrópole desse porte.
Outro destaque da viagem foi o Erawan Museum, localizado em Samut Prakan, na região metropolitana de Bangkok. O museu é conhecido pela enorme representação do elefante Erawan, com três cabeças, que domina a paisagem do complexo.
A estrutura possui cerca de 29 metros de altura apenas no elefante e 43,6 metros considerando todo o conjunto.
O museu é dividido em três níveis, relacionados a diferentes conceitos da cosmologia: o submundo, o mundo humano e o céu. A visita se torna ainda mais surpreendente quando o visitante descobre que é possível entrar no interior do elefante.
No nível superior, chamado de Cosmos, há uma representação relacionada ao universo e uma imagem de Buda em estilo Sukhothai. O espaço foi projetado para transmitir uma atmosfera de contemplação e espiritualidade.
Ao redor do museu, Jorge também observou o cuidado com os jardins, que reúnem árvores, esculturas e referências à literatura e à mitologia tradicional tailandesa.
O próprio museu descreve a área como uma representação da floresta Himmapan, presente na tradição mitológica local.
Apesar da quantidade de monumentos visitados, Jorge afirma que uma das experiências mais marcantes dos primeiros dias está no contato com as pessoas.
Mesmo enfrentando dificuldades de comunicação em algumas situações, ele relata ter percebido forte cordialidade durante as interações.
Entre os costumes que mais chamaram sua atenção está o wai, gesto tradicional utilizado para cumprimentar e demonstrar respeito ou agradecimento, realizado com as mãos unidas diante do corpo.
Em 2024, o governo tailandês reconheceu oficialmente o wai como parte da identidade nacional relacionada às formas de saudação e demonstração de respeito.
Para Jorge, essas experiências reforçam o principal objetivo do projeto Jorge Sem Fronteiras: não apenas visitar lugares, mas compreender como as pessoas vivem, experimentar a gastronomia, utilizar o transporte local, observar os costumes e conhecer diferentes realidades.
Bangkok representa, assim, o primeiro grande capítulo de uma jornada que ainda está apenas começando.
Entre diferenças culturais, desafios de comunicação, novos sabores, deslocamentos e descobertas, Jorge começa a construir o registro de uma expedição que pretende passar por 196 capitais e levar o nome de Nova Andradina e de Mato Grosso do Sul para diferentes partes do mundo.
Mais do que registrar paisagens, o Jorge Sem Fronteiras pretende mostrar os desafios, os erros, os aprendizados e as histórias encontradas pelo caminho.
E a frase que acompanha o projeto desde o início da jornada continua sendo o seu lema:
“Sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho.”